À Conversa com…

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Foto Ana Miguéis

Ana M. E. Miguéis

Coordenadora do Serviço Integrado das Bibliotecas da Universidade de Coimbra (SIBUC)

 

 

 

 

 

Membro da APDIS desde:

Fui uma das sócias fundadoras da APDIS, estando presente na Assembleia Geral que ditou a criação da Associação, em 1991. O meu número de associada é o nº 10.

 

1ª Posição Profissional:

Iniciei a minha vida profissional como professora provisória do 1º grupo na Escola Preparatória de Cantanhede, tendo leccionado num curso de educação e formação para adultos. Fi-lo apenas durante o ano lectivo de 1988-1989, enquanto terminava a minha especialização em Ciências Documentais na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Foi ainda no final do ano de 1989 que iniciei a minha actividade como Técnica Superior de 2ª classe, responsável pelas bibliotecas do Centro Hospitalar de Coimbra.

 

Formação Académica:

Toda a minha formação académica foi realizada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Licenciei-me em História, em 1987; especializei-me em Ciências Documentais – opções de Arquivo, em 1989 e opção Biblioteca e Documentação, em 1992. Realizei o mestrado em Informação, Comunicação e Novos Media, no ano de 2012, tendo defendido uma dissertação que abordava o comportamento da comunidade científica da Universidade de Coimbra perante o seu repositório institucional.

 

Website favorito:

A verdade é que não tenho um website “favorito”. De um modo geral utilizo a Internet para consultar e aceder a informação que me interessa profissionalmente e por esse facto diria que a minha preferência está mais relacionada com as fontes de informação em Ciências da Informação, do que por um Website em particular.

 

PERGUNTAS:

1. Qual a sua posição actual:

Actualmente sou coordenadora do Serviço Integrado das Bibliotecas da Universidade de Coimbra (SIBUC), ocupando este cargo desde Março de 2010. Trata-se de um serviço que funciona como a estrutura de apoio técnico e de coordenação das Bibliotecas da Universidade de Coimbra e que se traduziu numa mudança significativa na minha actividade e na área em que me posicionei ao longo de 20 anos: a das ciências da saúde.

 

2. O que acha mais interessante no seu trabalho?

O mais interessante e aliciante do meu trabalho é a capacidade de agir e interagir com uma multiplicidade de agentes e de utilizadores, com necessidade específicas e diferenciadas. É a oportunidade de prestar um bom serviço a quem tem necessidades de informação especializada, quer para a sua prática profissional, quer para a sua participação em congressos ou cursos de formação ou, ainda, para escrever artigos técnicos ou científicos.

 

3. Qual foi o seu maior desafio profissional?

Já tive vários desafios, ao longo de todos estes anos. Recordo o primeiro de todos eles, que foi o início da vida profissional numa biblioteca hospitalar, que já tinha biblioteca, mas que nunca tinha tido nenhum bibliotecário. Olhavam-me com desconfiança e sem perceber em que medida é que uma pessoa com as minhas habilitações podia fazer diferente ou melhor. Existia a figura de Director da Biblioteca, ocupada por um médico sénior, já com alguma importância na hierarquia do Hospital, e com quem eu reunia regularmente. Após algum tempo foi muito gratificante dar conta da mudança que se foi operando no comportamento dos utilizadores e na vinda de novos utilizadores. O próprio director reconheceu, publicamente, que só mais tarde se apercebera realmente da importância de ter uma bibliotecária numa biblioteca hospitalar. E este desafio foi muito importante no meu percurso. Todos os que se lhe têm seguido são sempre uma continuidade: tornar o nosso trabalho importante e visível para os outros, prestar um serviço com qualidade e sermos reconhecidos como especialistas e dotados de um saber próprio.

 

4. Como é que se tornou interessada na área da biblioteconomia de saúde?

Não foi uma escolha consciente. Fui trabalhar para esta área porque surgiu essa oportunidade. Mas foi sempre uma área muito interessante para se trabalhar, caracterizada por uma grande dinâmica e por um forte sentimento de grupo. Tive também a felicidade de encontrar colegas excepcionais e que sempre me apoiaram: a Drª Lucília Paiva, a Drª Isabel Faria, a Drª Antónia Pereira da Silva. Esta relação fortaleceu o meu empenho e interesse por esta área.

 

5. Foi bibliotecária noutra área, antes de ser da saúde?

Não. A área da saúde foi mesmo a primeira, e na qual me mantive por 20 anos.

 

6. O que é que gostaria de ser, se não fosse bibliotecária?

É uma pergunta que não me ocorre. Imagino-me sempre a fazer o que faço, a ser bibliotecária.

 

7. O que é que considera ser o maior desafio na biblioteconomia contemporânea?

O maior desafio que se coloca é o de saber que lugar vão ocupar, no futuro, as bibliotecas. E isto pressupõe que saibamos identificar o que é uma biblioteca, qual é a sua missão, de que modo se traduzem os serviços que presta, que informação disponibiliza, etc. Esta tem sido uma área sujeita a muitas mudanças e metamorfoses e que têm exigido dos seus profissionais uma grande capacidade de interacção e de integração de novas competências. Sobretudo há que saber se nas sociedades modernas, a estratégia de desenvolvimento das instituições reconhece a importância das bibliotecas.

 

8. Está envolvida em outras organizações?

Actualmente não estou envolvida em mais nenhuma organização mas já estive. Houve momentos em que a minha participação associativa foi muito intensa. Primeiro na BAD, onde integrei os corpos sociais da BAD Centro, em particular a direcção; e na APDIS, que me deixou recordações muito gratas.

 

9. Que conselhos daria a alguém que fosse começar uma carreira como bibliotecário da saúde?

Aconselharia, antes de mais, a aprender com os outros, os que estão no terreno. A tornar-se associado da APDIS, associação que é de extrema importância para estes profissionais. A observar, a conhecer a instituição e a sua organização. E então, a partir deste conhecimento, a dar o seu contributo pessoal, a fazer a diferença, a melhorar, ainda que seja em pequenas coisas. E sempre a ter presente na sua ação as necessidades dos seus utilizadores, a razão principal do seu trabalho.

 

10. Quais são os seus planos para o futuro?

Os meus planos para o futuro são os de me manter com as funções que actualmente desempenho e através delas promover o trabalho que é feito pelas bibliotecas, a sua importância, a especificidade do seu conhecimento e a intervenção que devem ter na sociedade.

 

11. Que momento mais a marcou como fundadora da APDIS?

Acho que o momento mais marcante foi mesmo o da assembleia fundadora da APDIS. Eu era ainda muito jovem na profissão e acompanhei todo o processo que conduziu à mudança do Grupo de Trabalho de Informação em Saúde (GTIS), grupo de trabalho que existia no âmbito da BAD, para a criação da Associação Portuguesa de Documentação em Saúde, a APDIS. Estive em muitas das reuniões onde participavam activamente vários colegas, como a Lucília Paiva, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, a Maria Justina Imperatori, da Direcção Geral da Saúde, o António Assunção, da Administração Regional de Saúde do Centro, a Maria Amélia Hungria, da Escola Superior de Enfermagem Maria Fernanda Resende, a Maria do Rosário Leitão, da GlaxoSmithKline, e muitos mais. Essa Assembleia que reuniu tantos colegas da Saúde, e em que se decidiu e votou a criação da APDIS representou um momento crucial, único, emblemático e arrebatador. E passados 25 anos esse espírito mantém-se bem vivo!

 

12. Aproximam-se as XII Jornadas APDIS, como vê o facto destas se realizarem na Universidade de Coimbra?

O facto de as Jornadas da APDIS se realizarem, este ano, em Coimbra representa para mim um imenso orgulho. As colegas de Coimbra tiveram um papel muito importante na criação da APDIS, e penso muito em particular na Lucília Paiva, a primeira Presidente que, com todo o entusiasmo que a caracterizava, se dedicou e trabalhou para que esta causa se solidificasse e mantivesse até hoje, passados 25 anos. Foi também em Coimbra que se realizou a primeira Conferência da EAHIL, em 1996, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, e onde a Antónia Pereira da Silva desenvolveu um excelente trabalho.
Assim, parece-me que a realização das Jornadas em Coimbra é uma forma de homenagear de modo muito expressivo a Drª Lucília Paiva, a cidade de Coimbra e a sua Universidade. Acredito que a Lucília se sentiria (se sente) muito orgulhosa com tudo isto.

 

13. Em 2016, comemoramos os 25 anos APDIS! O que mudou desde 1991 no contexto das Bibliotecas da Saúde em Portugal? Que desafios encontramos hoje que diferem dos de há 25 anos?

Muita coisa mudou desde então, é certo. Esta é uma pergunta complexa e exigiria uma resposta longa e circunstanciada. Mas procurando cingir-me ao essencial, e antes de tudo o mais, mudou a forma como trabalhamos e como nos relacionamos, que passou a realizar-se, em grande medida, num ambiente digital. O desenvolvimento das TIC, e em particular as mudanças que ocorreram com o aparecimento da Internet e da World Wide Web, criaram novas condições para a disseminação do conhecimento. Permitiram, também, ultrapassar muitas das limitações existentes no que respeita aos modelos de publicação tradicional e hoje é possível aceder à informação e até partilhar e usar os resultados da investigação científica, de uma forma que há 25 anos atrás era de todo impossível. Como já referi antes, os profissionais tiveram que mudar, tiveram de assumir novas competências para fazer face a estas mudanças. E eu acho que a APDIS os ajudou nessa tarefa.
O esforço da APDIS centrou-se, ao longo dos anos, na criação de instrumentos de trabalhos que permitissem uma cooperação efectiva, uma partilha de recursos e a disseminação de boas práticas, essenciais para o desenvolvimento das bibliotecas da saúde, a quem sempre se exigiu uma permanente actualização.
Hoje o grande desafio para a APDIS é desenvolver ferramentas que acrescentem valor às Bibliotecas da Saúde, que transformem os seus serviços e o seu saber próprio numa vantagem competitiva, permitindo-lhes afirmarem-se não apenas no interior das instituições que representam, mas também na interacção que estabelecem entre si.